Análise de Dishonored


                                                                Por Mateus Freire


     No final de 2012 muita gente teve um susto bem positivo. Dishonored foi lançando em outubro e definitivamente conseguiu superar expectativas. Não é a toa que levou um dos prêmios do VGA. E com certeza esse é um dos jogos que nós devemos conhecer e saber o motivo de seu sucesso.



DISHONORED

Desenvolverdor: Arkane Studios
Publicado por: Bethesda
Lançamento: Outubro de 2012
Gênero: Ação em primeira pessoa











     Em Dishonored nós controlamos o personagem Corvo Attano, o guarda-costas da imperatriz Kaldwin. Um complô contra a imperatriz acontece e ela é assassinada na frente de Corvo e também de sua filha Emily, que por sua vez é seqüestrada. Para piorar toda a situação, Corvo é acusado pelo assassinato da imperatriz e é levado a prisão enquanto o verdadeiro traidor, chamado Hiram Burrows, assume o controle da cidade de Dunwall, onde se passa toda a trama do jogo.



     Corvo passa os próximos seis meses de sua vida na prisão sem poder fazer absolutamente nada para provar sua inocência. Depois de um longo tempo de julgamento é sentenciado à morte. Mas antes que isso aconteça, ele recebe uma ajuda inesperada. A chave de sua cela misteriosamente aparece dentro de sua refeição. Com a ajuda de um aliado até então desconhecido, Corvo consegue escapar da prisão.
     Sua missão agora é descobrir o paradeiro da filha da imperatriz, Emily Kaldwin, e se vingar daqueles que desonraram seu nome, daí o motivo do título do jogo Dishonored, o Desonrado.

        Dunwall com certeza não é o melhor ambiente para se viver. A cidade, baseada na Inglaterra do século XVII, tem como principal atividade econômica a pesca de baleias. A carne é consumida pelos habitantes, o óleo é extraído para ser utilizado em máquinas como fonte de energia e seus ossos são comercializados como itens raros. Em vários momentos do jogo encontramos livros que falam sobre a caça às baleias ou podemos ver os navios transportando os animais. Recentemente a cidade foi tomada por uma peste de ratos que espalharam uma doença mortal, possivelmente trazida dos navios baleeiros. Aqueles que são ricos ainda conseguem comprar o elixir que impede que a doença se desenvolva em seus corpos. Já os pobres estão jogados ao léu. Os doentes são mortos e jogados no mar. As ruas já se encontram cheias de cadáveres, moscas, ratos e podridão. As casas têm cheiro de morte. Os sobreviventes procuram refúgio nos prédios abandonados tentando ficar o mais longe possível dos ratos. A comida acaba. A água está contaminada. E é exatamente esse um dos mais fantásticos aspectos de Dishonored. A ambientação do jogo é muito boa. É real, é lúgubre, é decadente.

     O jogo tem uma perspectiva de primeira pessoa e seu gênero é de ação. Muitas pessoas definem esse jogo como Stealth, mas eu acho que essa definição não é muito correta. Eu prefiro dizer que cada jogador escolhe a maneira que mais lhe convém: Você pode ser sorrateiro como um rato e evitar ser visto, usar
armas não letais e esconder os corpos daqueles que você deixou inconsciente pelo caminho; ou você pode ser violento e mais prático, inconseqüente de suas ações. Fica a seu critério. Se você quer finalizar esse jogo sem ser visto ou sem ter matado qualquer um dos inimigos, com exceção daqueles que são necessários para a história do jogo, você pode fazer isso, embora isso seja extremamente difícil. O jogo possui quatro níveis de dificuldade, onde há o aumento da resistência dos inimigos, ou seja, eles
ficam mais fortes e mais é mais difícil derrotá-los; como também a percepção em relação a sua presença, sendo mais difícil não ser notado.
      No arsenal do jogo nós temos uma pistola, uma besta, granadas normais, granadas pegajosas, uma espada e a navalha primavera. A pistola é extremamente eficaz, mas faz bastante barulho e chama atenção. A besta é uma ótima arma silenciosa. Ela Pode ser equipada com dardos normais, dardos soníferos ou
dardos explosivos; ou seja, pode ser usada como arma letal ou não. A espada pode ser usada numa batalha corpo a corpo ou em assassinatos silenciosos. Por último a navalha primavera é uma armadilha que pode ser plantada no chão e, caso algum inimigo passe por ela, é ativada e dispara lâminas a uma pequena distância. É extremamente eficaz e mortal.
     Durante as missões podemos achar moedas escondidas pelo cenário. Com as moedas podemos comprar melhorias para os nossos equipamentos, munição, poções de saúde, etc.
     O jogo possui um item que eu achei bastante curioso e um pouco irritante: O coração. Ele é usado para encontrar as runas e os encantos presentes no mapa. Ele é bastante útil e válido no jogo, sem dúvida, mas as constantes vibrações do controle quando estamos equipando o coração acompanhado do barulho de suas
batidas foram um pouco traumatizantes na minha experiência de jogador. O coração também revela segredos dos lugares e das pessoas que você encontra pelo caminho.
     Os encantos são itens mágicos criados a partir dos ossos de uma baleia que, quando ativados, garantem uma pequena vantagem para o jogador. Por exemplo, o Charme acrobata garante a Corvo uma maior agilidade no momento de escalar paredes. Existem vários charmes espalhados pelos níveis do jogo e você só os busca se tiver interesse em fazer melhorias em suas habilidades.
     Já as runas são bem mais importantes. Também são itens mágicos 
feitos de ossos de baleias, porém estes são capazes de nos fornecer habilidades sobrenaturais poderosas. O jogo possui um total de oito poderes que podem ser trocados pelas
runas coletadas. Entre eles estão o Time Blend (Dobra de tempo em português), que faz com que o tempo se torne mais lento para os seus adversários, o Blink (Piscada) que funciona como um tele transporte extremamente útil tanto para quem quer fugir de um combate, como para quem quer atacar. O Devouring Swarm (Grupo de ratos
devoradores) que, como o próprio nome diz, permite a Corvo conjurar ratos que atacam os inimigos e devoram seus corpos.
     As ações tomadas durante o jogo podem influenciar o desenrolar dos eventos. Por exemplo, quantos mais corpos estiverem no chão, mais ratos circularão e alertarão sua presença. Se você decidir executar certos inimigos, alguns personagens vão reagir a você de formas diferentes. O jogo possui dois finais, cada final é exibido dependendo das ações tomadas pelo jogador.
     O jogo é dividido em nove missões, sendo a primeira a fuga da prisão. Também existem missões opcionais, que às vezes podem render uma recompensa, que pode ser dinheiro, um charme,etc. Alguns cenários são muito criativos, como por exemplo o prostíbulo Golden Cat e a mansão da Lady Goyle. Nessa última, a missão acontece durante uma festa à fantasia e Corvo pode ser visto pelos soldados porque está usando uma máscara.
      Em relação aos gráficos, Dishonored deixa muito a desejar. Podemos observar várias texturas mal
trabalhadas. A constante repetição de certos elementos “decorativos” também é evidente. É fácil notar que um mesmo quadro aparece várias vezes em cenários diferentes.
      Em compensação, a direção de arte do jogo é fantástica. Os personagens são bem feitos e dão vida ao enredo do jogo. Infelizmente o jogo somente apresenta dublagem em inglês e não possui legendas. Porém os atores escolhidos para dublar Dishonored realizaram um ótimo trabalho.
     Dishonored veio para inovar e nos mostrar que os jogos de ação ainda têm muito a evoluir. Está longe de ser um jogo perfeito, mas conseguiu chamar bastante atenção merecidamente. Agora é só esperar para ver se a Arkane vai dar continuidade a esse trabalho e se outras empresas poderão se inspirar nessa obra que, com certeza, foi um dos melhores jogos de 2012.

+ Enredo
+ Ambientação
+ Jogabilidade
+ Inovação
- Gráficos
- Repetições no cenário
- Tela de carregamento demorada

Nota do Mateus: 8,5 (Muito bom!)

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